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Decálogo dos mestres

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Poesia é o tato dos espíritos

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Fernando Nandé Nas últimas décadas, a poesia sofreu a ditadura da forma, dos românticos aos concretos, poetas do mundo todo usaram a forma como camisa-de-força. Hoje não damos tanto importância à forma. Pois redescobrimos o óbvio: o segredo da poesia (que não é segredo para ninguém!) não está apenas na forma, mas na intensidade da mensagem e no equilíbrio entre sílabas fortes e fracas, ou seja, na cadência do verso. Os poetas gregos e romanos já sabiam disso ao  desenvolverem todos os temas universais que perduram até nossos dias. Assim, não obstante a tecnologia que se utilize, falamos de amor como falou Ovídio, cantamos o nosso tempo com igual intensidade de Catulo ou Camões, em pretensa modernidade, na soberba infantilidade de nos pensarmos fora dos paradigmas poéticos construídos por séculos. A poesia é nossa alma e se tem alguma coisa que nunca vai mudar é a alma humana, e por mais que o tempo passe ela será a mesma sempre. O sentir de hoje, dentro de nossos corações...

O silêncio do Universo - O paradoxo de Fermi - Física

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Prof. José Fernando Ouvi falar do Paradoxo de Fermi ainda na adolescência. Nele explora-se a contradição da existência de tantos mundos neste Universo e, ao mesmo tempo, nenhuma constatação com provas científicas da existência de vida ou inteligência fora de nosso planeta. O físico italiano Enrico Fermi (1901-1954) expôs esse paradoxo junto com outras perguntas até hoje não respondidas sobre o Universo, em conversa com amigos num almoço em 1950. Desde lá, nada foi esclarecido, muito pelo contrário, as dúvidas só se fizeram avolumar com as descobertas posteriores, principalmente com a comprovação recente da existência de outros planetas em sistemas solares distantes. Estamos sozinhos pode ser uma conclusão lógica, ao se considerar essa falta de evidências de vida fora daqui. Estaríamos, portanto, condenados ao grande silentium universi – sem comunicação alguma com o que quer que seja. Mas examinemos mais algumas hipóteses, além dessa da solidão universal. Uma d...

Decálogo do Artista - Gabriela Mistral

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José Fernando Nandé Ao ler poetas chilenos, deparei-me com Gabriela Mistral (1889 — 1957), que aqui é pouco lembrada, a não ser em nome de rua ou de escola. Não é difícil em seus escritos, a verificação de que estamos diante de uma poeta formidável, ou poetisa como prefere alguns, agraciada com o Nobel de Literatura de 1945, o qual lhe fez justiça. De seus poemas, tomamos a liberdade de traduzir o que segue e que pode nortear alguns artistas para que eles não caiam na falsa arte exigida pelo mercado e não se tornem mercadores de modismos. Eis, pois, o Decálogo do Artista:  I. Amarás a beleza, que é sombra de Deus sobre o Universo. II. Não há arte ateia. Ainda que não ames o Criador, o afirmarás criando a sua semelhança. III. Não darás a beleza como falsa isca para os sentidos e sim como o natural alimento d’alma. IV. Não serás pretexto para a luxúria nem para a vaidade e sim para o exercício divino. V. Não buscarás no merca...

Robô: não matarás - as leis de Asimov

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José Fernando Nandé Assemelha-se à ficção científica, mas é a mais pura realidade tangível e escarrada, um grande problema para ser resolvido por todos nós: quando um robô mata um ser humano, o que devemos fazer e como ele deve ser punido? Vejam esse exemplo interessante: há três anos um robô causou a morte de funcionário em uma das fábricas de produção da Volkswagen na Alemanha. A vítima, de 22 anos, fazia parte de uma equipe responsável pela criação de um robô estacionário, que o agarrou e o esmagou contra uma placa de metal. De acordo com as investigações, se aponta que o erro ocorreu por falha humana e não por um problema com o robô, que pode ser programado para efetuar diversas funções durante o processo de montagem. Segundo as agências de notícias alemãs, o Ministério Público, à época, levantou a possibilidade de responsabilizar alguma parte envolvida no incidente. Sim, talvez encontremos um elemento humano para dar resposta ao “crime” à Justiça, mas e se o cr...

Homens perdem juízo com mulher bonita

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Estudo publicado pela revista científica  “Frontiers in Neuroscience ” diz que psicólogos consideram que a beleza feminina tem a capacidade de fazer o cérebro masculino abandonar a consciência do que é justo ou não é justo. Guardo antigo hábito de traduzir os jornais internacionais com boas editorias de Ciência e volta e meia deparo-me com notícias que comprovam o que já sabíamos empiricamente, ou seja, na prática. Há algum tempo, o  ABC.es , trouxe as informações sobre o estudo científico que aponta que as mulheres muito bonitas têm algo especial que faz os homens ficarem loucos. O estudo foi publicado pela revista  “Frontiers in Neuroscience” . Nele, um grupo de psicólogos asiáticos revela que as mulheres atrativas podem fazer com que os homens deixem de pensar racionalmente e aceitem propostas que não lhes trazem nenhum benefício. Os especialistas consideram que a beleza feminina tem a capacidade de fazer com que o cérebro perca por momentos a consciência do que ...

A estupidez como modelo social da Modernidade Líquida

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José Fernando Nandé Dizem que a coisa começou lá com os gregos e ganhou força sobremodo com os romanos: nosso gosto por tudo quanto possa ser considerado dramático. A dureza da realidade nos força, inclusive para alguma saúde mental, a sonhar de olhos abertos. Por herança, além das línguas românticas (Português, Francês, Italiano, etc), ganhamos, em nosso sangue latino, a paixão: esta capacidade de sofrer, que nada mais é do que tocar a vida adiante sem muita lucidez e afastados da razão. Por isso, amamos a tragédia e a comédia. Por isso, endeusamos nossos atores, artistas e perdemos tempo em frente à TV vendo novelas, programas sofríveis de humor e filmes. Porém, nosso pão e circo têm lá suas limitações. O pão sempre foi pouco. No circo eletrônico onírico-virtual, os autores debatem-se para descobrir uma nova fórmula em suas ficções esgotadíssimas em qualidade e criatividade, que determinam a constante queda de audiência dos novelões, repetidos em forma, esquetes e t...